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16/03/2022

MONUMENTO DA JUSTIÇA DE FAFE 1981

 



«PERFIL

Este Monumento foi inaugurado pelas 11 horas do dia 22 de Agosto de 1981, cerimónia integrada na Festa dedicada aos Emigrantes e a que estiveram presentes o Governador Civil do Distrito, Dr. Fernando Alberto R. Silva, o Presidente da Câmara Municipal de Fafe, Dr. Parcídio Summavielle, alguns vereadores e elementos das Juntas de Freguesias, bastantes Emigrantes e público, assim como a Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Fafe.

- As figuras que o compõem são fundidas em bronze e medem 2,20 m. cada uma, pesando, em conjunto, cerca de 2000 quilos.

A sua escultura é obra do Professor de Belas Artes, Escultor Eduardo Tavares, residente na cidade do Porto, tendo sido fundidas na firma Fundição de Bronzes de Arte, de Fernando Silva Lage, de Oliveira do Douro, Vila Nova de Gaia.

- O plinto (base) em que está assente é de granito da região e tem 2,73 m. de comprimento; por 1,16 m. de altura.

- Erigir esta estátua era ideia antiga no sentido de mostrar a quem nos visita, o símbolo da nossa terra tantas vezes utilizado em cartazes e na mais diversa publicidade comercial.

- Está implantada na Rua dos Combatentes, precisamente na parte traseira do Palácio da Justiça e, a escolha desse local mostrou-se contraditória em alguns sectores da opinião pública mas, ele obedeceu, - segundo a Comissão – ao propósito de se enquadrar, digamos, a «justiça do cacete» evitável; com a «justiça do homem» inevitável e necessária.

- Esta obra custou cerca de 800 contos, sendo que os principais custos foram os de 250 c. para o escultor; 350 c. para a fundição; 60 c. para o plinto e o restante em diversas despesas efectuadas com Festas ao Emigrante, etc. montante esse que foi conseguido pela comissão junto da Câmara, Governo Civil, Comércio e Industria locais, Emigrantes de França, e do público em geral, assim como através de um sorteio que foi um êxito se considerar que, felizmente, só muito poucos, nem devolveram os bilhetes, nem mandaram o dinheiro…

 

Porém, as contas estão totalmente pagas e a verba sobrante, bem como algumas plaquetas e cinzeiros, vão agora ser distribuídos pelos Bombeiros, Lar da Terceira Idade, A.D. Fafe.

Entretanto, e voltando ao nosso «perfilado» será de sugerir à nossa edilidade que a par das obras já previstas para o local, o mesmo seja dotado de dois ou três holofotes que, com carácter permanente, fiquem, de noite, a iluminar aquele que é o verdadeiro ex-líbris da nossa terra.

- A Comissão Promotora que era constituída pelo Eng. Mário Valente, João da Costa, Carlos Alberto Soares, Abilio Peixoto de Freitas e António Magalhães e a Câmara que tão aberta e receptiva se mostrou bem pode, também, ser considerada a impulsionadora do objectivo, merecem o reconhecimento e o agradecimento geral dos fafenses, assim como será necessário que alguém com possibilidades e capacidade procure, finalmente, nos alfarrábios identificar com clareza e exactidão a verdadeira história da «justiça de Fafe», que, pelo dinamismo e o esforço de alguns dedicados homens da nossa terra, ficou agora aqui perpetuada e que este jornal, para a posteridade, aqui deixa hoje convenientemente «perfilada».»

In Jornal “Justiça de Fafe” nº 187, 22 Outubro 1981

 

 

 

 


08/01/2022

CORPO JUDICIAL DA COMARCA DE FAFE FELICITOU A SUBIDA AO TRONO DE D. PEDRO V EM 1855


D. Pedro V 
Imagem da Internet DR


«Felicitação que a digna corporação judicial da Comarca da Villa de Fafe enviou a S. M. El-Rei D. PEDRO V pela sua exaltação ao throno.

 

Senhor

O corpo judicial da comarca de Fafe, vem hoje submisso aos pés de Vossa Magestade desempenhar um dever cheio de jubilo e contentamento.

Nesta occasião solemne em que toda a Nação desde o sumptuoso palácio do grande até ao alvergue do pequeno, se vestiu de gala, por ver raiar a aurora do dia 16 de Setembro, dia duplicadamente fausto e memorando, por que não só abriu uma nova epocha para Portugal, mas tambem encheu de vivas e bem fundadas esperanças o povo portuguez, de ter em Vossa Magestade um reinado livre, prospero e feliz: sim nesta solemne occasião não podia deixar o corpo judicial da comarca de Fafe, de vir desta forma felicitar a Vossa Magestade por se assentar em um Throno cheio de gloriosas recordações, e no qual outr’ora se assentaram os sábios senhores D. Diniz, e D. Duarte; o querido e amado do povo portuguez o Senhor D. João I; o pacifico senhor D. Pedro II, e o venturoso senhor D. Manuel, os quaes todos Vossa Magestade não só imitará, mas até excederá, mostrando se um Rei tão sábio tão querido, tão pacifico, e tão venturoso, como elles o forão.

E’ Real Senhor o que de coração deseja a Vossa Magestade a corporação judicial da Comarca de Fafe, a qual apresentando a Vossa Magestade os seus vivos sentimentos e desejos, igualmente rende a Vossa Magestade um sincero tributo e homenagem da sua profunda submissão dedicação e obediencia, ditada não só pelo rigoroso dever, mas tambem pelo intimo jubilo e contentamento de que se acha possuida pela ascensão de Vossa Magestade ao Throno de Seus Augustos Maiores a Quem Deus conserve dilatados annos a preciosa vida.

Fafe 21 de Setembro de 1855

O Juiz de direito – Luiz Antonio Correa de Moraes e Amaral – O Juiz de direito 1º substituto – Francisco Leite de Castro – O delegado – José Guilherme da Costa (Lua), Contador e distribuidor – Joaquim Jose da Costa Novaes O escrivão de direito – João Bernardino Rodrigues Dourado. – O escrivão de direito – Estevão Pereira Leite – O escrivão de direito – Antonio Carlos de Araujo Motta. – O official de diligencias – Amaro Gonçalves – Idem – Antonio Baptista. – Idem – Pedro Cardozo.»


Fonte: “O Pharol do Minho”, nº 175, 18 de Outubro de 1855


Fonte:

https://www.csarmento.uminho.pt/site/s/hemeroteca-bpb/item-set/161602


Biografia de D. Pedro V

https://www.arqnet.pt/dicionario/pedrov.html

 

 


 

02/01/2022

A SENHORA DE ANTIME NO ALMANACH DE LEMBRANÇAS LUSO-BRASILEIRO DE 1859

 

Imagem da Senhora da Misericórdia de Antime






«Senhora d’Antime. – É uma romagem de máxima nomeada no concelho de Fafe e na parte oriental inteira do districto de Braga. Chama-se-lhe tambem romaria da Senhora do Sol e romaria da Senhora da Misericordia, em virtude do fervor das supplicas e do intenso da fé com que os povos se endereção a esta Senhora, nas faltas de chuva ou de sol.

A imagem da Virgem é de pedra fina (granito metamorphico), com braços postiços, e sem pés nem pernas, nem feitio algum de estatuária, alem do rosto unicamente. Tem outo arrobas de peso, e está collada em um tosco andor antigo de outo arrobas tambem, a que dão o nome de charola da Senhora.

Dá a tradição por apparecida esta imagem no Monte de S. Jorge, entre Fafe e Cepães, e entre a freguezia d’Antime igualmente; monte d’uma boa légua de comprido e meia légua de largo, onde abundão grandes pedreiras de pedra fina (granitos metamorphicos especialmente), d’envolta com granitos effusivos duríssimos, entre os quaes apparecem ás vezes bellos granitos porphyroides; granitos explorados todos incessantemente, e os metamorphicos sobre tudo, para as construcções nas convizinhanças de Fafe em redondo, até uma boa légua ás vezes.

Tambem n’este mesmo monte «de S. Jorge Magno», venera o povo o penedo da pegadinha, em commemoração da crença que tem, das pégadinhas que no dito penedo deixara impressas o jumentinho da Senhora, indo ella uma vez a cavallo por estes sítios.

Celebra-se a funcção da SENHORA D’ANTIME, com vésperas, no 2º domingo de Julho, na sua fréguezia reitoral de Santa Maria do mesmo nome, a um quarto de légua para o sul da villa de Fafe; fazendo-se pela manhã o anniversario das almas, com seu sermão appropriado á festa. No domingo de manhã, pela volta das 10 horas, sahe d’Antime para a igreja de Fafe a procissão da SENHORA, fazendo-se então nesta igreja matriz exposição do Sacramento, com sua missa cantada, e o competente sermão, e pela volta das 6 horas da tarde regressa para a respectiva fréguezia, no meio de numerosíssimo concurso de romeiros, como na sahida d’Antime para Fafe.

Era outr’ora ainda mais galhofeira do que hoje, esta romagem d’Antime: chegava quasi a delírio o affervorado das salvas da companhia de mosqueteiros da procissão, não só na sahida e na volta d’ella, mas sobre tudo no acommettimento de um castello fictício, de propósito erigido para dar mais realce á funcção e para a tornar mais estrepitosa; o castello a final tomado era abrasado em chammas pelos mesmos mosqueteiros, depois de finjido um apparatoso conflito de sitiantes e sitiados, e vencido a final o Rei mouro acastellado. Dá a tradição por origem d’esta finjida peleja, muito victoriada dos romeiros em chusma, a commemoração d’antigos feitos dos povos da localidade na expulsão dos mouros, quando era senhor e povoador de Fafe, nos primeiros tempos de nossa independência, D. Egas Fafes, filho aguerrido do aguerrido D. Fafez Luz, alferes do Conde D. Henrique, primitivo tronco genealógico da nossa dynastia affonsina.

No meio das folias e extravagancias da romaria, tem ficado algumas vezes esmagados alguns dos conductores da charola debaixo do seu excessivo peso. Costumão ser 16 em geral, para pegarem revesados aos oito braços, ou banzos da dita charola da Senhora, os valentões da procissão, valentões que se offerecem com antecipação de um ou dois annos ás vezes, e que não conseguem esta graça especial dos mesarios da Senhora, senão a poder de supplicas, empenhos e sollicitações. Não é todavia a mera ostentação de forças e de robustez de corpo a que assim faz deprecar a graça de carregar com os banzos da charola aos hombros: é especialmente porque têem para si os mancebos da localidade (Fafe e Antime sobre tudo) não serem bem succedidos nos seus casamentos, se não pegarem primeiro ao andor da Senhora. N’essa occasião, para elles da maior expansão de coração juvenil, costumão collocar esses mancebos dos banzos os seus ramos de perpetuas na charola, aos quaes se dá o nome sacramental de pinhas da Senhora d’Antime.»

J. J. da S. Pereira-Caldas (Braga)



Fonte:


22/12/2021

O ESCUTISMO FAFENSE NASCEU EM REVELHE NO ANO DE 1945


Recorte do jornal "O Desforço", 3 de Janeiro 1946


 

Por iniciativa persistente do Padre Manuel Vaz, pároco de Revelhe, em 23 de Dezembro de 1945, foi criada a primeira “Alcateia” do C.N.E. do concelho de Fafe.

Pelas colunas do semanário “O Desforço” de 3 e 24 de Janeiro de 1946, chegou-nos a notícia da génese do escutismo fafense, há precisamente 76 anos.

«Está de parabéns o venerando pároco da freguesia snr. P.e Manuel Vaz que não descansou enquanto não viu representado no deu rebanho o C.N.E.; depois de muitos sacrifícios, canseiras e, porque não dizê-lo, dissabores, viu finalmente realizado o seu sonho de três anos de apostolado.»

Na noite de 22 de Dezembro, após uma “Velada de Armas”, com aigreja paroquial “repleta de fiéis” e a presença do Secretário Nacional do C.N.E., padre Arlindo Ribeiro da Cunha, realizou-se um “Fogo de Conselho”, seguindo-se as “orações da noite”.

Pelas 7,30 horas do dia 23 de Dezembro, na missa matutina, os lobitos e escuteiros presentes receberam a comunhão.

Tomado o pequeno-almoço, na missa das 11 horas, celebrada pelo pároco e Assistente local do Corpo Nacional de Escutas, P.e Manuel Vaz, procedeu-se às Promessas do primeiro grupo de lobitos de Fafe. Casimiro da Cunha, chefe da nova Alcateia, fez também a sua Promessa, perante um templo “a abarrotar de pessoas”, com a presença de escuteiros vindos de Braga e Guimarães.

No final da cerimónia todos os escuteiros presentes desfilaram pelos arredores da igreja paroquial de Revelhe.

A actividade programada para a tarde daquele domingo. 23 de Dezembro, não teve lugar devido ao “mau tempo”.

Ficou assim iniciado o movimento escutista no concelho de Fafe, com a criação da “Alcateia 60” do C.N.E., na freguesia de Santa Eulália de Revelhe.




Padre Manuel Vaz, fundador do Escutismo em Revelhe, Fafe
Foto dos anos 50 do séc. XX, tirada em Moçambique
(Colecção particular)



 

PADRE MANUEL VAZ (1919 – 1996)

Apontamento Biográfico

 

«Filho de Bernardino Vaz e de Maria de Castro, Manuel Vaz nasceu na freguesia de Lobeira, Guimarães, a 4 de Dezembro de 1919.

Frequentou o Seminário e foi ordenado presbítero em 19 de Setembro de 1942, sendo, nesse mesmo ano, colocado nas paróquias de Revelhe e Vinhós, do concelho de Fafe, fazendo o primeiro batismo em 24 de Outubro de 1942, e o último em 29 de Maio de 1949.

Foi fundador do Escutismo Católico (CNE) na paróquia de Revelhe, a primeira do concelho, (23 de Dezembro de 1945).

Para isso, e por se tratar de uma época de pobreza generalizada (estava-se na ressaca da guerra civil de Espanha e em plena II Guerra Mundial), chamou e manteve no salão paroquial durante semanas e a expensas suas um oficial de sapataria que confeccionou calçado para dezenas de adolescentes.

No Acampamento Nacional de 1948 no Bom Jesus do Monte já tomou parte o Agrupamento de Revelhe.


Fonte da imagem:


Encaminhou para o Seminário vários jovens da paróquia que chegaram a totalizar nove.

Em Junho de 1949 partiu para Moçambique, sendo nesse ano nomeado professor do Seminário Menor de Santa Teresinha de Magude, em Lourenço Marques, e em 1950 da Escola de Habilitações de Professores indígenas, a cargo do arcebispado e sita em Alvor, Manhiça.

Superior da Missão de S. Roque de Matutuine, Maputo, de 1955 a 1975, exerceu cumulativamente, o cargo de Superior da Missão de Nossa Senhora das Mercês da Catembe, na ausência dos respectivos missionários. Fundou outras Missões, construiu várias escolas e capelas no mato, dois internatos, uma maternidade e um centro social.

Em 1964 foi nomeado cónego capitular da Sé de Moçambique e, por proposta da Conferência Episcopal, foi eleito para o Conselho Económico e Social de Moçambique para os Interesses Morais e Culturais, e, conjuntamente, Vogal da Acção Social no Trabalho de 1963 a 1974. Nesse ano e até ao regresso a Portugal em Junho de 1975 lecciona Português e História no colégio de D. Dinis, de que era director e proprietário.

Regressado a Portugal, leccionou durante três anos na Vidigueira, Alentejo, passando depois pelas Escolas Secundárias da Veiga e de Vizela, em Guimarães.

Uma vez fixado em Guimarães, foi capelão do Hospital Distrital, Reitor da Igreja de Santo António dos Capuchos e capelão da igreja da Misericórdia e de S. Pedro, do Toural.

Faleceu em 10 de Janeiro de 1996, no Hospital de Nossa Senhora da Oliveira. Presidiu às exéquias o arcebispo de Braga, D. Eurico Dias Nogueira e concelebrou o Bispo de Vila Real, D. Joaquim Gonçalves.

Foi sepultado na sua terra natal.»

 

Retirado de:

Gonçalves, Joaquim e Soares, António Franquelim Neiva, “Párocos de Revelhe e Padres Naturais da Paróquia, D. Fafes, Revista Cultural, n.ºs 17 e 18, Câmara Municipal de Fafe, 2011, pp. 130 e 131.



Notícia do semanário, "O Desforço"


Recorte do jornal "O Desforço", 24 Janeiro 1946