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16/03/2022

MONUMENTO DA JUSTIÇA DE FAFE 1981

 



«PERFIL

Este Monumento foi inaugurado pelas 11 horas do dia 22 de Agosto de 1981, cerimónia integrada na Festa dedicada aos Emigrantes e a que estiveram presentes o Governador Civil do Distrito, Dr. Fernando Alberto R. Silva, o Presidente da Câmara Municipal de Fafe, Dr. Parcídio Summavielle, alguns vereadores e elementos das Juntas de Freguesias, bastantes Emigrantes e público, assim como a Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Fafe.

- As figuras que o compõem são fundidas em bronze e medem 2,20 m. cada uma, pesando, em conjunto, cerca de 2000 quilos.

A sua escultura é obra do Professor de Belas Artes, Escultor Eduardo Tavares, residente na cidade do Porto, tendo sido fundidas na firma Fundição de Bronzes de Arte, de Fernando Silva Lage, de Oliveira do Douro, Vila Nova de Gaia.

- O plinto (base) em que está assente é de granito da região e tem 2,73 m. de comprimento; por 1,16 m. de altura.

- Erigir esta estátua era ideia antiga no sentido de mostrar a quem nos visita, o símbolo da nossa terra tantas vezes utilizado em cartazes e na mais diversa publicidade comercial.

- Está implantada na Rua dos Combatentes, precisamente na parte traseira do Palácio da Justiça e, a escolha desse local mostrou-se contraditória em alguns sectores da opinião pública mas, ele obedeceu, - segundo a Comissão – ao propósito de se enquadrar, digamos, a «justiça do cacete» evitável; com a «justiça do homem» inevitável e necessária.

- Esta obra custou cerca de 800 contos, sendo que os principais custos foram os de 250 c. para o escultor; 350 c. para a fundição; 60 c. para o plinto e o restante em diversas despesas efectuadas com Festas ao Emigrante, etc. montante esse que foi conseguido pela comissão junto da Câmara, Governo Civil, Comércio e Industria locais, Emigrantes de França, e do público em geral, assim como através de um sorteio que foi um êxito se considerar que, felizmente, só muito poucos, nem devolveram os bilhetes, nem mandaram o dinheiro…

 

Porém, as contas estão totalmente pagas e a verba sobrante, bem como algumas plaquetas e cinzeiros, vão agora ser distribuídos pelos Bombeiros, Lar da Terceira Idade, A.D. Fafe.

Entretanto, e voltando ao nosso «perfilado» será de sugerir à nossa edilidade que a par das obras já previstas para o local, o mesmo seja dotado de dois ou três holofotes que, com carácter permanente, fiquem, de noite, a iluminar aquele que é o verdadeiro ex-líbris da nossa terra.

- A Comissão Promotora que era constituída pelo Eng. Mário Valente, João da Costa, Carlos Alberto Soares, Abilio Peixoto de Freitas e António Magalhães e a Câmara que tão aberta e receptiva se mostrou bem pode, também, ser considerada a impulsionadora do objectivo, merecem o reconhecimento e o agradecimento geral dos fafenses, assim como será necessário que alguém com possibilidades e capacidade procure, finalmente, nos alfarrábios identificar com clareza e exactidão a verdadeira história da «justiça de Fafe», que, pelo dinamismo e o esforço de alguns dedicados homens da nossa terra, ficou agora aqui perpetuada e que este jornal, para a posteridade, aqui deixa hoje convenientemente «perfilada».»

In Jornal “Justiça de Fafe” nº 187, 22 Outubro 1981

 

 

 

 


08/01/2022

CORPO JUDICIAL DA COMARCA DE FAFE FELICITOU A SUBIDA AO TRONO DE D. PEDRO V EM 1855


D. Pedro V 
Imagem da Internet DR


«Felicitação que a digna corporação judicial da Comarca da Villa de Fafe enviou a S. M. El-Rei D. PEDRO V pela sua exaltação ao throno.

 

Senhor

O corpo judicial da comarca de Fafe, vem hoje submisso aos pés de Vossa Magestade desempenhar um dever cheio de jubilo e contentamento.

Nesta occasião solemne em que toda a Nação desde o sumptuoso palácio do grande até ao alvergue do pequeno, se vestiu de gala, por ver raiar a aurora do dia 16 de Setembro, dia duplicadamente fausto e memorando, por que não só abriu uma nova epocha para Portugal, mas tambem encheu de vivas e bem fundadas esperanças o povo portuguez, de ter em Vossa Magestade um reinado livre, prospero e feliz: sim nesta solemne occasião não podia deixar o corpo judicial da comarca de Fafe, de vir desta forma felicitar a Vossa Magestade por se assentar em um Throno cheio de gloriosas recordações, e no qual outr’ora se assentaram os sábios senhores D. Diniz, e D. Duarte; o querido e amado do povo portuguez o Senhor D. João I; o pacifico senhor D. Pedro II, e o venturoso senhor D. Manuel, os quaes todos Vossa Magestade não só imitará, mas até excederá, mostrando se um Rei tão sábio tão querido, tão pacifico, e tão venturoso, como elles o forão.

E’ Real Senhor o que de coração deseja a Vossa Magestade a corporação judicial da Comarca de Fafe, a qual apresentando a Vossa Magestade os seus vivos sentimentos e desejos, igualmente rende a Vossa Magestade um sincero tributo e homenagem da sua profunda submissão dedicação e obediencia, ditada não só pelo rigoroso dever, mas tambem pelo intimo jubilo e contentamento de que se acha possuida pela ascensão de Vossa Magestade ao Throno de Seus Augustos Maiores a Quem Deus conserve dilatados annos a preciosa vida.

Fafe 21 de Setembro de 1855

O Juiz de direito – Luiz Antonio Correa de Moraes e Amaral – O Juiz de direito 1º substituto – Francisco Leite de Castro – O delegado – José Guilherme da Costa (Lua), Contador e distribuidor – Joaquim Jose da Costa Novaes O escrivão de direito – João Bernardino Rodrigues Dourado. – O escrivão de direito – Estevão Pereira Leite – O escrivão de direito – Antonio Carlos de Araujo Motta. – O official de diligencias – Amaro Gonçalves – Idem – Antonio Baptista. – Idem – Pedro Cardozo.»


Fonte: “O Pharol do Minho”, nº 175, 18 de Outubro de 1855


Fonte:

https://www.csarmento.uminho.pt/site/s/hemeroteca-bpb/item-set/161602


Biografia de D. Pedro V

https://www.arqnet.pt/dicionario/pedrov.html

 

 


 

02/01/2022

A SENHORA DE ANTIME NO ALMANACH DE LEMBRANÇAS LUSO-BRASILEIRO DE 1859

 

Imagem da Senhora da Misericórdia de Antime






«Senhora d’Antime. – É uma romagem de máxima nomeada no concelho de Fafe e na parte oriental inteira do districto de Braga. Chama-se-lhe tambem romaria da Senhora do Sol e romaria da Senhora da Misericordia, em virtude do fervor das supplicas e do intenso da fé com que os povos se endereção a esta Senhora, nas faltas de chuva ou de sol.

A imagem da Virgem é de pedra fina (granito metamorphico), com braços postiços, e sem pés nem pernas, nem feitio algum de estatuária, alem do rosto unicamente. Tem outo arrobas de peso, e está collada em um tosco andor antigo de outo arrobas tambem, a que dão o nome de charola da Senhora.

Dá a tradição por apparecida esta imagem no Monte de S. Jorge, entre Fafe e Cepães, e entre a freguezia d’Antime igualmente; monte d’uma boa légua de comprido e meia légua de largo, onde abundão grandes pedreiras de pedra fina (granitos metamorphicos especialmente), d’envolta com granitos effusivos duríssimos, entre os quaes apparecem ás vezes bellos granitos porphyroides; granitos explorados todos incessantemente, e os metamorphicos sobre tudo, para as construcções nas convizinhanças de Fafe em redondo, até uma boa légua ás vezes.

Tambem n’este mesmo monte «de S. Jorge Magno», venera o povo o penedo da pegadinha, em commemoração da crença que tem, das pégadinhas que no dito penedo deixara impressas o jumentinho da Senhora, indo ella uma vez a cavallo por estes sítios.

Celebra-se a funcção da SENHORA D’ANTIME, com vésperas, no 2º domingo de Julho, na sua fréguezia reitoral de Santa Maria do mesmo nome, a um quarto de légua para o sul da villa de Fafe; fazendo-se pela manhã o anniversario das almas, com seu sermão appropriado á festa. No domingo de manhã, pela volta das 10 horas, sahe d’Antime para a igreja de Fafe a procissão da SENHORA, fazendo-se então nesta igreja matriz exposição do Sacramento, com sua missa cantada, e o competente sermão, e pela volta das 6 horas da tarde regressa para a respectiva fréguezia, no meio de numerosíssimo concurso de romeiros, como na sahida d’Antime para Fafe.

Era outr’ora ainda mais galhofeira do que hoje, esta romagem d’Antime: chegava quasi a delírio o affervorado das salvas da companhia de mosqueteiros da procissão, não só na sahida e na volta d’ella, mas sobre tudo no acommettimento de um castello fictício, de propósito erigido para dar mais realce á funcção e para a tornar mais estrepitosa; o castello a final tomado era abrasado em chammas pelos mesmos mosqueteiros, depois de finjido um apparatoso conflito de sitiantes e sitiados, e vencido a final o Rei mouro acastellado. Dá a tradição por origem d’esta finjida peleja, muito victoriada dos romeiros em chusma, a commemoração d’antigos feitos dos povos da localidade na expulsão dos mouros, quando era senhor e povoador de Fafe, nos primeiros tempos de nossa independência, D. Egas Fafes, filho aguerrido do aguerrido D. Fafez Luz, alferes do Conde D. Henrique, primitivo tronco genealógico da nossa dynastia affonsina.

No meio das folias e extravagancias da romaria, tem ficado algumas vezes esmagados alguns dos conductores da charola debaixo do seu excessivo peso. Costumão ser 16 em geral, para pegarem revesados aos oito braços, ou banzos da dita charola da Senhora, os valentões da procissão, valentões que se offerecem com antecipação de um ou dois annos ás vezes, e que não conseguem esta graça especial dos mesarios da Senhora, senão a poder de supplicas, empenhos e sollicitações. Não é todavia a mera ostentação de forças e de robustez de corpo a que assim faz deprecar a graça de carregar com os banzos da charola aos hombros: é especialmente porque têem para si os mancebos da localidade (Fafe e Antime sobre tudo) não serem bem succedidos nos seus casamentos, se não pegarem primeiro ao andor da Senhora. N’essa occasião, para elles da maior expansão de coração juvenil, costumão collocar esses mancebos dos banzos os seus ramos de perpetuas na charola, aos quaes se dá o nome sacramental de pinhas da Senhora d’Antime.»

J. J. da S. Pereira-Caldas (Braga)



Fonte:


22/12/2021

O ESCUTISMO FAFENSE NASCEU EM REVELHE NO ANO DE 1945


Recorte do jornal "O Desforço", 3 de Janeiro 1946


 

Por iniciativa persistente do Padre Manuel Vaz, pároco de Revelhe, em 23 de Dezembro de 1945, foi criada a primeira “Alcateia” do C.N.E. do concelho de Fafe.

Pelas colunas do semanário “O Desforço” de 3 e 24 de Janeiro de 1946, chegou-nos a notícia da génese do escutismo fafense, há precisamente 76 anos.

«Está de parabéns o venerando pároco da freguesia snr. P.e Manuel Vaz que não descansou enquanto não viu representado no deu rebanho o C.N.E.; depois de muitos sacrifícios, canseiras e, porque não dizê-lo, dissabores, viu finalmente realizado o seu sonho de três anos de apostolado.»

Na noite de 22 de Dezembro, após uma “Velada de Armas”, com aigreja paroquial “repleta de fiéis” e a presença do Secretário Nacional do C.N.E., padre Arlindo Ribeiro da Cunha, realizou-se um “Fogo de Conselho”, seguindo-se as “orações da noite”.

Pelas 7,30 horas do dia 23 de Dezembro, na missa matutina, os lobitos e escuteiros presentes receberam a comunhão.

Tomado o pequeno-almoço, na missa das 11 horas, celebrada pelo pároco e Assistente local do Corpo Nacional de Escutas, P.e Manuel Vaz, procedeu-se às Promessas do primeiro grupo de lobitos de Fafe. Casimiro da Cunha, chefe da nova Alcateia, fez também a sua Promessa, perante um templo “a abarrotar de pessoas”, com a presença de escuteiros vindos de Braga e Guimarães.

No final da cerimónia todos os escuteiros presentes desfilaram pelos arredores da igreja paroquial de Revelhe.

A actividade programada para a tarde daquele domingo. 23 de Dezembro, não teve lugar devido ao “mau tempo”.

Ficou assim iniciado o movimento escutista no concelho de Fafe, com a criação da “Alcateia 60” do C.N.E., na freguesia de Santa Eulália de Revelhe.




Padre Manuel Vaz, fundador do Escutismo em Revelhe, Fafe
Foto dos anos 50 do séc. XX, tirada em Moçambique
(Colecção particular)



 

PADRE MANUEL VAZ (1919 – 1996)

Apontamento Biográfico

 

«Filho de Bernardino Vaz e de Maria de Castro, Manuel Vaz nasceu na freguesia de Lobeira, Guimarães, a 4 de Dezembro de 1919.

Frequentou o Seminário e foi ordenado presbítero em 19 de Setembro de 1942, sendo, nesse mesmo ano, colocado nas paróquias de Revelhe e Vinhós, do concelho de Fafe, fazendo o primeiro batismo em 24 de Outubro de 1942, e o último em 29 de Maio de 1949.

Foi fundador do Escutismo Católico (CNE) na paróquia de Revelhe, a primeira do concelho, (23 de Dezembro de 1945).

Para isso, e por se tratar de uma época de pobreza generalizada (estava-se na ressaca da guerra civil de Espanha e em plena II Guerra Mundial), chamou e manteve no salão paroquial durante semanas e a expensas suas um oficial de sapataria que confeccionou calçado para dezenas de adolescentes.

No Acampamento Nacional de 1948 no Bom Jesus do Monte já tomou parte o Agrupamento de Revelhe.


Fonte da imagem:


Encaminhou para o Seminário vários jovens da paróquia que chegaram a totalizar nove.

Em Junho de 1949 partiu para Moçambique, sendo nesse ano nomeado professor do Seminário Menor de Santa Teresinha de Magude, em Lourenço Marques, e em 1950 da Escola de Habilitações de Professores indígenas, a cargo do arcebispado e sita em Alvor, Manhiça.

Superior da Missão de S. Roque de Matutuine, Maputo, de 1955 a 1975, exerceu cumulativamente, o cargo de Superior da Missão de Nossa Senhora das Mercês da Catembe, na ausência dos respectivos missionários. Fundou outras Missões, construiu várias escolas e capelas no mato, dois internatos, uma maternidade e um centro social.

Em 1964 foi nomeado cónego capitular da Sé de Moçambique e, por proposta da Conferência Episcopal, foi eleito para o Conselho Económico e Social de Moçambique para os Interesses Morais e Culturais, e, conjuntamente, Vogal da Acção Social no Trabalho de 1963 a 1974. Nesse ano e até ao regresso a Portugal em Junho de 1975 lecciona Português e História no colégio de D. Dinis, de que era director e proprietário.

Regressado a Portugal, leccionou durante três anos na Vidigueira, Alentejo, passando depois pelas Escolas Secundárias da Veiga e de Vizela, em Guimarães.

Uma vez fixado em Guimarães, foi capelão do Hospital Distrital, Reitor da Igreja de Santo António dos Capuchos e capelão da igreja da Misericórdia e de S. Pedro, do Toural.

Faleceu em 10 de Janeiro de 1996, no Hospital de Nossa Senhora da Oliveira. Presidiu às exéquias o arcebispo de Braga, D. Eurico Dias Nogueira e concelebrou o Bispo de Vila Real, D. Joaquim Gonçalves.

Foi sepultado na sua terra natal.»

 

Retirado de:

Gonçalves, Joaquim e Soares, António Franquelim Neiva, “Párocos de Revelhe e Padres Naturais da Paróquia, D. Fafes, Revista Cultural, n.ºs 17 e 18, Câmara Municipal de Fafe, 2011, pp. 130 e 131.



Notícia do semanário, "O Desforço"


Recorte do jornal "O Desforço", 24 Janeiro 1946


 

19/12/2021

TRASLADO DE DOCUMENTOS REFERENTES AO CASAL DE CALVELOS 1327



Fonte da imagem:


Traslado dos seguintes documentos referentes ao casal de Calvelos passado a requerimento do mestre-escola do Porto e abade de S. Gens, em Guimarães, na casa dos tabeliães a 6 de Maio da era de 1365:

1 – Resposta de Afonso Anes, juiz de Montelongo, sobre a entrega do dito casal, escrita pelo tabelião de Montelongo Giraldo Esteves a 19 de Outubro da era de 1344.

2 – Sentença de João Fernandes, juiz de Montelongo, sobre demanda acerca do dito casal, escrita pelo mesmo tabelião a 4 de Maio da era de 1346.

3 – Declaração de Lourenço Rodrigues, porteiro de Montelongo, acerca da entrega do dito casal, escrita em […] a 8 de Outubro da era de 1347 pelo tabelião Estevão Pais.”

 

18/12/2021

BENZEDEIRAS DO SÉCULO XIX


BENZEDEIRAS

Há em Fafe, e em outras mais partes, dessas mulheres de virtude, que curam com palavras os desfiamentos dos braços e das pernas.

Poem para isso ao lume um púcaro com água, fazem-na ferver, e quando a fervura se activa, vazam então a agua num alguidar ou bacia, e põem o púcaro sobre ela com a boca para baixo, colocando depois a parte aberta ou desfiada do doente por cima do dito púcaro.

Toma então a benzedeira uma maçaroca de linho cru, fiada de propósito para semelhante objecto, enfia uma agulha nesse linho, e passa-a deste modo por baixo da parte doente, dando voltas sucessivas com o fio enfiado do linho, até à total, ou quase total absorção da água pelo púcaro, travando-se então o seguinte diálogo:

Benzedeira – Eu que é que aqui coso?

Doente – Carne aberta, fio torto.

Benzedeira – Isso mesmo é que eu coso:

Em louvor de S. Silvestre,

Quanto eu fizer, tudo preste.

 

E se o púcaro, durante este tempo da repetição das palavras de virtude, chegar a absorver a água toda, ou quase toda, sobre a qual está de fundo para cima e de boca para baixo, ficará então a parte torcida de todo sã da abertura ou desfiamento; aliás não poderá o enfermo sarar daquela vez, e ficarão sem virtudeas palavras da benzedeira.

Não é o primeiro púcaro que se enche na fonte, mas só o décimo, depois de cheios e despejados a fio os nove primeiros, o que se põe ao lume.

E quando, depois da fervura, o despejam e emborcam sobre a água, costumam colocar-lhe no fundo e em cruz, umas contas, um pente e uma tesoura, antes de repetir a fórmula.

Esta benzedura porém sofre algumas variantes de processo em algumas terras vizinhas.

 

F.M. da Cunha (Fafe)

 

Transcrito (com alteração ortográfica) do:

“ALMANACH DE LEMBRANÇAS LUSO-BRAZILEIRO” de 1859

Por: Alexandre Magno de Castilho

Lisboa, Imprensa Nacional, 1858

Página, 153









 


 

16/12/2021

SENTENÇA MANDANDO CONSERVAR À IGREJA DE SÃO GENS DE MONTELONGO CERTAS HONRAS EM DIVERSAS FREGUESIAS – 26 Agosto 1335


Fonte da imagem:

 

“Sentença, proferida em Guimarães a 26 de Agosto da era de 1373 por Lourenço Martins, dito Calado, vedor dos coutos e honras de Entre-Douro e Minho, cargo para que foi nomeado por carta régia datada de Lisboa a 6 de Abril da era de 1373, (ano de 1335), mandado conservar à igreja de S. Gens de Montelongo, certas honras nas freguesias de Armil, Santa Ovaya a Antiga, Estorãos, Ribeiros, Quichães e S. Gens.

A sentença foi precedida da inquirição testemunhal em que foram ouvidos Pedro Lopes, juiz de Montelongo, Acenço Esteves, tabelião de Montelongo, Travassós e Freitas, e outros homens bons.

Este documento não é original, mas um traslado passado na dita igreja de S. Gens, a requerimento de D. Gonçalo Martins, mestre escola do Porto e abade dela, por mandado do juiz de Montelongo Vicente Martins, e do dito Lourenço Calado, a 12 de Setembro da era de 1377, dia em que a sentença foi publicada em S. Gens, pelo referido tabelião Acenço Esteves, sendo testemunha, entre outros, Gonçalo (Durão?) abade de Quinchães.»


Transcrito de:

Guimarães, Oliveira, "Catálogo dos Pergaminhos Existentes no Archivo da Insigne e Real Collegiada de Guimarães", O Archeologo Pertuguês, vol.X, Lisboa, 1905, p. 220.

 

 

 

 



 


 

15/12/2021

O MAIS ANTIGO DOCUMENTO CONHECIDO DO ACTUAL CONCELHO DE FAFE DATA DE 956

 


Fonte da imagem:

 

“Carta de Sancto Martino et de Rio Malo” é a epígrafe do mais antigo documento do actual território de Fafe.

O pergaminho, datado do ano de 956, faz parte de um códice do Arquivo da extinta Colegiada da Senhora da Oliveira de Guimarães, comummente conhecido por “Livro de Mumadona”.

Actualmente guardado no Arquivo Nacional da Torre do tombo, o “famoso” códice reúne várias dezenas de documentos, onde encontramos outras referências ao actual concelho de Fafe. Desta documentação daremos conta em trabalho, na forja, intitulado “Fafe no Livro de Mumadona – séculos X e XI”.

O presente documento formaliza o compromisso dos esposos, Astrulfu e Nomina, voluntariamente e na condição de “serviçais”, passarem a habitar e trabalhar na casa de Zamario (padre) e Farega (devota), na sua “villa” de “São Martino de Rio Malo”, actual paróquia de São Martinho de Fareja.

Os conjugues comprometem-se a prestar bom serviço na “villa” como na igreja e a pagar uma multa pesada caso não cumpram as suas obrigações.

Um documento com 1065 anos, reproduzido nas Inquirições de D. Afonso II em 1220, que aqui transcrevemos:   

 

 Carta de Sancto Martino et de Rio Malo

Astrulfu et nomina vobis zamario presbiter et farega per hune placitum nostrum uobis conpromittimus quomodo sedeamus uel habitemus in ustra casa et apud uos et in uestra villa et faciamus ibidem seruitio sicut facent homines bonos. et si in uestra casa fraudem fecerimus aut in uestra villa aut in uestro labore aut de nostro aut si in alia parte transire uoluerimus  sine uestro mando aut sine uestra beneditione sicut in scriptura resona que sedeamus uestros seruus traditus post parte uestra et parte ecclesia sancti martini et insuper pariemus uobis x boues extra aliqua dilatatione et uobis perpetim. Facta placitus XIIII kalendas marcias. Era Dª CCCCª LXXXXª IIIIª. Astrufu et nomina in hoc olacitus manus nostras roboramus. Dado test. Ranemiro test. Eredo test. Aloito presbiter. Susana deuota test. Spanosendo test. Cidi presbiter test. Fafila presbiter scribsit.

 

In Guimarães, Oliveira, Vimaranis Monumenta Historica, Vimaranensis Senatus, Guimarães, 1908, p. 6.

 

 



13/12/2021

A IGREJA DE SANTA EULÁLIA ANTIGA DE MONTE LONGO NO "TRATADO HISTÓRICO DO REAL MOSTEIRO DE SANTA MARINHA DA COSTA" 1748



Igreja de Santa Eulália de Fafe (Matriz)










https://archeevo.amap.pt/details?id=114562

 



Cap. XIII

Igrejas anexas.

Tem este Mosteiro cinco Igrejas anexas em que apresenta Curas: A de Santa Marinha da Costa, de Santa Maria de Atães, de Santa Eulália de Barrosas, de Santa Maria de Pedroso, e de Santa Eulália antiga de Monte Longo. (…)

A Igreja de Santa Eulália antiga de Monte Longo foi doada a este Mosteiro por El Rei D. Pedro I na Era de Cesar de 1398 que é o ano de Cristo de 1360, sendo Arcebispo de Braga D. Guilherme, com obrigação de duas missas quotidianas cantadas, uma em sua vida por ele e por estado real e depois da sua morte pela sua alma, outra por alma de sua mulher D. Inês de Castro. Estas missas supõe-se entrarão na redução como veremos no Cap. 16.

O traslado autentico da doação está no nosso cartório, gaveta 11ª, nº 15.

A Corografia de Carvalho diz que esta igreja fora Mosteiro, ainda que de Ordem não se sabe e que se entende fora fundado por algum fidalgo dos do apelido Fafez, porque dizem ser este o solar desta família, e que daqui fora Senhor D. Godinho Fafes, filho primeiro de D. Fafes Luz, rico homem e Alferes do Conde D. Henrique, e que esta Vila e Freguesia tomarão dela o nome. Não se sabe quando se extinguiu.

É esta igreja de Santa Eulália antiga de Fafe a que mais vulgarmente se chama de Monte Longo, não só a melhor que todas as outras que temos no rendimento, senão também das melhores que há em todo o Reino nas indulgências de que goza por estar incorporada à Igreja de São João de Latrão por Bula principia. Capitulum et Canonic. Sacro Santa Latranensis Eulalia passada a 8 de Maio de 1610, sendo Sumo Pontifice Paulo V, à instancia do Reverendo Francisco Bráz Abade de São Clemente de Basto, Juiz da Irmandade de São Pedro, cita na Igreja da mesma Freguesia de Santa Eulalia, e mais officiais e confrades. O Papa Bonifacio disse que se os homens soubessem quantas são estas Indulgencias, não iriam a Jerusalem nem a nem a Santiago de Galiza. O Papa Inocencio que são tantas, e infinitas, que só Deus as pode numerar as quais todas confirmava.

Indo em visita o ilustríssimo Dom João de Souza, repreendeu o Párocop por não ter fechadas as portas da igreja, a quem este respondeu que nem sua Ilustrissima com com seu Prelado as podia mandar fechar e perguntando a causa lhe apresentou a Bula. Ficou o Prelado um pouco suspenso, rompendo depois nestas palavras: é possível que esteja aqui o tesouro escondido no campo?

Faz-se nesta Freguesia Endureças e Procissão de Passos.

Tem uma imagem de muito concurso na capelinha de Santo Ovidio no primeiro domingo depois do dia da Assunção de Nossa Senhora.

Andam arrendados os dízimos desta Freguesia ao presente em sete centos mil réis. 700000.

Rende ao Cura seis mil réis, dois alqueires de trigo, dois almudes de vinho, e duas libras de cera, que lhe dá de Côngrua este Mosteiro: de obradas, cento e sessenta alqueires de pão e dos seus passais, um ano por outro quarenta e uma […]

 Em nenhuma as sobre ditas anexas pode pregar Pregador algum de fora sem licença do Prelado deste Mosteiro por Provisão do Ilustrissimo D. Rodrigo da Cunha passada a 28 de Março de 1632, e confirmada pelo Núncio a 3 de Outubro de 1633. Confirmada tambem pelo Ilustrissimo D. Rodrigo de Moura Teles a 20 […] e ultimamente por Provisão do Serenissimo D. Joze passada a 27 de Abril de 1742.

 

TESTAMENTO DE GUTERRE WILIFONSI AO MOSTEIRO DE SÃO BARTOLOMEU DE S. GENS EM 1158



https://archeevo.amap.pt/details?id=121583



“Testamento de Guterre Wilifonsi. Feito na era de 1196, pelo qual lega todos os seus bens ao mosteiro de São Bartolomeu de São Gens. Alguns dos bens são legados com reserva do usufruto vitalício para outrem e como cláusula de permanecerem sempre íntegros em poder do mosteiro, prevenindo-se a hipótese de serem partidos os bens deste. Neste caso os bens seriam usufruídos pelos parentes do testador até que o mosteiro fosse restaurado novamente. Os bens doados, além dos móveis, são em [Argividi], [Amenal],[Docii] e em Villa Meã. Também lega uma casa sita em Guimarães ao hospital de Jerusalém”.


Transcrição de:

Guimarães, João Gomes de Oliveira (Abade de Tagilde), O Archeologo Português, vol IX, 1904, p. 88.

 

12/12/2021

CONFISSÃO DE PAGAMENTO E ENTREGA DE TERRAS PELO ABBADE DE SANTA EULÁLIA DE REVELHE DOMINGOS GONÇALVES 1394


https://archeevo.amap.pt/details?id=287829


LXVII

1394

«Sabbam todos que eu Domingos Gonçalves abbade de sancto Ovaya de Reuelhe do arcebispado de Bragaa julgado de monte longo conhosco e confesso que recebj de dom Steuom priol do mostejro de Souto de Ribadaue…… em boa paga e entrega de todos os beens e cousas que o dito dom Steuom ouue de dar de receber e demjmjstrar e de procurar da dita minha Eigreja dês tempo que …… della foj abbade ataa este sanhoane bautista que foj desta Era …… conuem a saber des ha era de mille IIIIº centos trinta e huum annos ataa este ano da Era de mill e quatrocentos e trinta e dous anos que ora anda e das …… pessoas …… que aa dita Eigreia fossem obligadas de quaes el recebesse e ouuesse e que o dito priol page todos os encarregos que a dita Eigreia he tiuda de pagar do sobre dito tempo e que os page …… coreenta dias e que o dito abbade page coreenta soldos para …… deste ano a Bragaa e que qualquer que for tehudo a pagar a paga que …… dauer da dita Eigreia do …… que a page e por ende o dou por quite e por ljure el aiades seus …… cousas e nunca o por a dita razom demande nem posa demandar em juiso nem fora del nem outrem por mjm nem por a dita minha Eigreia e posto que o demande outorgo que non valha e pedirom senhos estromentos. feito foj em Reuelhe vjnte e seis dias do mes de Julho Era de mil  e quatrocentos trinta e dous annos. testemunhas Steuom Martins, Joham Gonçalves ffernam uelho de Reuelhe e outros. E eu Gonçale anes taballiom delrej em monte longo que este stromento screuj e aqui meu signal fiz que tal he …»


Transcrição retirada de:

GUIMARÃES,  João  Gomes  de  Oliveira, Documentos  inéditos  dos  séculos  XII-XV. Mosteiro de Souto. Revista de Guimarães, 7 (2) Abr.-Jun. 1890, p. 66 e 67

https://www.csarmento.uminho.pt/site/s/rgmr/item/53606

 


11/12/2021

A IGREJA ROMÂNICA DE SÃO ROMÃO DE ARÕES EM 1914



Era este o aspecto da Igreja Românica de Arões S. Romão antes do ano de 1914.

Estas imagens (raras) fizeram parte de uma exposição/conferência intitulada "Arte Românica em Portugal", realizada no "Atheneu Commercial do Porto" em 4 de Janeiro de 1914.

Em 1918 o arqueólogo e crítico de Arte Joaquim de Vasconcelos (1849-1936) eternizou em livro o referido evento.
A Igreja de Arões aparece retratada nas páginas 126 e 127 desta obra que é um autêntico mostruário da arquitectura Românica do Norte e Centro de Portugal, com fotografias do reconhecido artista Marques Abreu.

Escusado será afirmar o mau gosto da época que cobriu a beleza da cantaria bem esquadrada, com o frio e alvo reboco.




 

Veja a publicação aqui: https://purl.pt/978

 

08/12/2021

FAFE NA REVISTA BRASIL PORTUGAL – 1909

Na Hemeroteca Municipal de Lisboa, um extraordinário exemplo de partilha pública em linha de documentação, encontrámos, na revista lisbonense “Brasil - Portugal", no seu nº 258, de 16 de Outubro de 1909, um artigo sobre Fafe, que se expande por três páginas, profusamente ilustradas, cujas imagens reproduzimos.









Fonte: Hemeroteca Municipal de Lisboa




 

 

 

 

 

 

 



06/12/2021

A TUNA ACADÉMICA DO LICEU DE BRAGA VISITOU FAFE EM 1906

«Excursão a Fafe - Academia do Lyceu de Braga»
Fonte: https://arquivo.cm-pontedelima.pt/



Em 8 e 9 de Dezembro de 1906, a Tuna do Liceu de Braga, representada por cerca de meia centena de elementos, deslocou-se à villa de Fafe, onde foi pomposamente recebida e aplaudida no teatro local.

Do Arquivo Municipal de Ponte de Lima, https://arquivo.cm-pontedelima.pt/ resgatámos duas fotografias feitas na ocasião e reproduzimos uma notícia do semanário, “O Jornal de Fafe”.

 

 

«A festa dos académicos

Estão entre nós desde hontem, cerca de quarenta académicos do lyceu de Braga, que vieram em excursão a esta terra, e aproveitaram o ensejo de dar uma récita de gala no theatro.

O sympathico grupo foi hontem de tarde esperado, pelas 2 horas, no limite da villa por muitas pessoas que foram aquardar a chegada, pela corporação de bombeiros e respectiva banda, apeando-se alli dos trens n’uma recepção festiva a que os recem-chegados se associaram n’essa alegria expansiva da mocidade, organizando em seguida a sua tuna, que veio executando ruas acima, acompanhados de muito povo, até ao edifício da camara.

A nossa vereação esperava alli os visitantes, e trocando-se os cumprimentos de boas vindas, folou um dos académicos, o nosso conterraneo snr. Leopoldo Freitas que, por entre expressões de agradecimento pelo acolhimento recebido, produziu um excellente discurso, sendo levantados repetidos e recíprocos vivas á academia de Braga, ao povo, á camara, etc.

D’alli seguiram em visita aos dois clubs, aonde foram do mesmo modo recebidos.

A’ noite realizou-se o espectaculo. O theatro estava vistosamente adornado com colgaduras e plantas, enchendo-se quisi litteralmente de pessoas.

O programma foi o seguinte:

I – Hymno Academico pela tuna e discurso de abertura, pelo presidente.

II – A comedia em umm acto – O Capitão de Lanceiros.

III – Viva Viana! Passe-calle, pela tuna. – O Zé Minhoto, scena cómica, pelo auctor, Leite Pereira. – Amoureuse, valse de Bergé, pela tuna. – De Braga a Fafe, «Passe-calle», Arlindo Machado, pela tuna.

IV - «O Gabinete do Sôr Regedor», comedia burlesca em um acto.

V – Muchacha, valse de Cavalcanti, pela tuna. – Cantares, 4ª rapsódia de Arlindo Machado, pela tuna. – Viva a folia! Passe.calle do académico Bernardino Macedo, pela tuna.

VI – Os maestros, terceto cómico.

O espectaculo decorreu com enthusiasmo, recebendo os académicos por vezes manifestações de agrado da plateia.

Os nossos hospedes, que tão gratas recordações nos deixam d’esta festa, retiram hoje.»

In jornal “O Jornal de Fafe”, nº 769, 9 Dezembro 1906

 




«Excursão a Fafe - Commisão de 1906. Lyceu de Braga»
Fonte: https://arquivo.cm-pontedelima.pt/