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19/12/2021

TRASLADO DE DOCUMENTOS REFERENTES AO CASAL DE CALVELOS 1327



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Traslado dos seguintes documentos referentes ao casal de Calvelos passado a requerimento do mestre-escola do Porto e abade de S. Gens, em Guimarães, na casa dos tabeliães a 6 de Maio da era de 1365:

1 – Resposta de Afonso Anes, juiz de Montelongo, sobre a entrega do dito casal, escrita pelo tabelião de Montelongo Giraldo Esteves a 19 de Outubro da era de 1344.

2 – Sentença de João Fernandes, juiz de Montelongo, sobre demanda acerca do dito casal, escrita pelo mesmo tabelião a 4 de Maio da era de 1346.

3 – Declaração de Lourenço Rodrigues, porteiro de Montelongo, acerca da entrega do dito casal, escrita em […] a 8 de Outubro da era de 1347 pelo tabelião Estevão Pais.”

 

18/12/2021

BENZEDEIRAS DO SÉCULO XIX


BENZEDEIRAS

Há em Fafe, e em outras mais partes, dessas mulheres de virtude, que curam com palavras os desfiamentos dos braços e das pernas.

Poem para isso ao lume um púcaro com água, fazem-na ferver, e quando a fervura se activa, vazam então a agua num alguidar ou bacia, e põem o púcaro sobre ela com a boca para baixo, colocando depois a parte aberta ou desfiada do doente por cima do dito púcaro.

Toma então a benzedeira uma maçaroca de linho cru, fiada de propósito para semelhante objecto, enfia uma agulha nesse linho, e passa-a deste modo por baixo da parte doente, dando voltas sucessivas com o fio enfiado do linho, até à total, ou quase total absorção da água pelo púcaro, travando-se então o seguinte diálogo:

Benzedeira – Eu que é que aqui coso?

Doente – Carne aberta, fio torto.

Benzedeira – Isso mesmo é que eu coso:

Em louvor de S. Silvestre,

Quanto eu fizer, tudo preste.

 

E se o púcaro, durante este tempo da repetição das palavras de virtude, chegar a absorver a água toda, ou quase toda, sobre a qual está de fundo para cima e de boca para baixo, ficará então a parte torcida de todo sã da abertura ou desfiamento; aliás não poderá o enfermo sarar daquela vez, e ficarão sem virtudeas palavras da benzedeira.

Não é o primeiro púcaro que se enche na fonte, mas só o décimo, depois de cheios e despejados a fio os nove primeiros, o que se põe ao lume.

E quando, depois da fervura, o despejam e emborcam sobre a água, costumam colocar-lhe no fundo e em cruz, umas contas, um pente e uma tesoura, antes de repetir a fórmula.

Esta benzedura porém sofre algumas variantes de processo em algumas terras vizinhas.

 

F.M. da Cunha (Fafe)

 

Transcrito (com alteração ortográfica) do:

“ALMANACH DE LEMBRANÇAS LUSO-BRAZILEIRO” de 1859

Por: Alexandre Magno de Castilho

Lisboa, Imprensa Nacional, 1858

Página, 153









 


 

16/12/2021

SENTENÇA MANDANDO CONSERVAR À IGREJA DE SÃO GENS DE MONTELONGO CERTAS HONRAS EM DIVERSAS FREGUESIAS – 26 Agosto 1335


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“Sentença, proferida em Guimarães a 26 de Agosto da era de 1373 por Lourenço Martins, dito Calado, vedor dos coutos e honras de Entre-Douro e Minho, cargo para que foi nomeado por carta régia datada de Lisboa a 6 de Abril da era de 1373, (ano de 1335), mandado conservar à igreja de S. Gens de Montelongo, certas honras nas freguesias de Armil, Santa Ovaya a Antiga, Estorãos, Ribeiros, Quichães e S. Gens.

A sentença foi precedida da inquirição testemunhal em que foram ouvidos Pedro Lopes, juiz de Montelongo, Acenço Esteves, tabelião de Montelongo, Travassós e Freitas, e outros homens bons.

Este documento não é original, mas um traslado passado na dita igreja de S. Gens, a requerimento de D. Gonçalo Martins, mestre escola do Porto e abade dela, por mandado do juiz de Montelongo Vicente Martins, e do dito Lourenço Calado, a 12 de Setembro da era de 1377, dia em que a sentença foi publicada em S. Gens, pelo referido tabelião Acenço Esteves, sendo testemunha, entre outros, Gonçalo (Durão?) abade de Quinchães.»


Transcrito de:

Guimarães, Oliveira, "Catálogo dos Pergaminhos Existentes no Archivo da Insigne e Real Collegiada de Guimarães", O Archeologo Pertuguês, vol.X, Lisboa, 1905, p. 220.

 

 

 

 



 


 

15/12/2021

O MAIS ANTIGO DOCUMENTO CONHECIDO DO ACTUAL CONCELHO DE FAFE DATA DE 956

 


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“Carta de Sancto Martino et de Rio Malo” é a epígrafe do mais antigo documento do actual território de Fafe.

O pergaminho, datado do ano de 956, faz parte de um códice do Arquivo da extinta Colegiada da Senhora da Oliveira de Guimarães, comummente conhecido por “Livro de Mumadona”.

Actualmente guardado no Arquivo Nacional da Torre do tombo, o “famoso” códice reúne várias dezenas de documentos, onde encontramos outras referências ao actual concelho de Fafe. Desta documentação daremos conta em trabalho, na forja, intitulado “Fafe no Livro de Mumadona – séculos X e XI”.

O presente documento formaliza o compromisso dos esposos, Astrulfu e Nomina, voluntariamente e na condição de “serviçais”, passarem a habitar e trabalhar na casa de Zamario (padre) e Farega (devota), na sua “villa” de “São Martino de Rio Malo”, actual paróquia de São Martinho de Fareja.

Os conjugues comprometem-se a prestar bom serviço na “villa” como na igreja e a pagar uma multa pesada caso não cumpram as suas obrigações.

Um documento com 1065 anos, reproduzido nas Inquirições de D. Afonso II em 1220, que aqui transcrevemos:   

 

 Carta de Sancto Martino et de Rio Malo

Astrulfu et nomina vobis zamario presbiter et farega per hune placitum nostrum uobis conpromittimus quomodo sedeamus uel habitemus in ustra casa et apud uos et in uestra villa et faciamus ibidem seruitio sicut facent homines bonos. et si in uestra casa fraudem fecerimus aut in uestra villa aut in uestro labore aut de nostro aut si in alia parte transire uoluerimus  sine uestro mando aut sine uestra beneditione sicut in scriptura resona que sedeamus uestros seruus traditus post parte uestra et parte ecclesia sancti martini et insuper pariemus uobis x boues extra aliqua dilatatione et uobis perpetim. Facta placitus XIIII kalendas marcias. Era Dª CCCCª LXXXXª IIIIª. Astrufu et nomina in hoc olacitus manus nostras roboramus. Dado test. Ranemiro test. Eredo test. Aloito presbiter. Susana deuota test. Spanosendo test. Cidi presbiter test. Fafila presbiter scribsit.

 

In Guimarães, Oliveira, Vimaranis Monumenta Historica, Vimaranensis Senatus, Guimarães, 1908, p. 6.

 

 



13/12/2021

A IGREJA DE SANTA EULÁLIA ANTIGA DE MONTE LONGO NO "TRATADO HISTÓRICO DO REAL MOSTEIRO DE SANTA MARINHA DA COSTA" 1748



Igreja de Santa Eulália de Fafe (Matriz)










https://archeevo.amap.pt/details?id=114562

 



Cap. XIII

Igrejas anexas.

Tem este Mosteiro cinco Igrejas anexas em que apresenta Curas: A de Santa Marinha da Costa, de Santa Maria de Atães, de Santa Eulália de Barrosas, de Santa Maria de Pedroso, e de Santa Eulália antiga de Monte Longo. (…)

A Igreja de Santa Eulália antiga de Monte Longo foi doada a este Mosteiro por El Rei D. Pedro I na Era de Cesar de 1398 que é o ano de Cristo de 1360, sendo Arcebispo de Braga D. Guilherme, com obrigação de duas missas quotidianas cantadas, uma em sua vida por ele e por estado real e depois da sua morte pela sua alma, outra por alma de sua mulher D. Inês de Castro. Estas missas supõe-se entrarão na redução como veremos no Cap. 16.

O traslado autentico da doação está no nosso cartório, gaveta 11ª, nº 15.

A Corografia de Carvalho diz que esta igreja fora Mosteiro, ainda que de Ordem não se sabe e que se entende fora fundado por algum fidalgo dos do apelido Fafez, porque dizem ser este o solar desta família, e que daqui fora Senhor D. Godinho Fafes, filho primeiro de D. Fafes Luz, rico homem e Alferes do Conde D. Henrique, e que esta Vila e Freguesia tomarão dela o nome. Não se sabe quando se extinguiu.

É esta igreja de Santa Eulália antiga de Fafe a que mais vulgarmente se chama de Monte Longo, não só a melhor que todas as outras que temos no rendimento, senão também das melhores que há em todo o Reino nas indulgências de que goza por estar incorporada à Igreja de São João de Latrão por Bula principia. Capitulum et Canonic. Sacro Santa Latranensis Eulalia passada a 8 de Maio de 1610, sendo Sumo Pontifice Paulo V, à instancia do Reverendo Francisco Bráz Abade de São Clemente de Basto, Juiz da Irmandade de São Pedro, cita na Igreja da mesma Freguesia de Santa Eulalia, e mais officiais e confrades. O Papa Bonifacio disse que se os homens soubessem quantas são estas Indulgencias, não iriam a Jerusalem nem a nem a Santiago de Galiza. O Papa Inocencio que são tantas, e infinitas, que só Deus as pode numerar as quais todas confirmava.

Indo em visita o ilustríssimo Dom João de Souza, repreendeu o Párocop por não ter fechadas as portas da igreja, a quem este respondeu que nem sua Ilustrissima com com seu Prelado as podia mandar fechar e perguntando a causa lhe apresentou a Bula. Ficou o Prelado um pouco suspenso, rompendo depois nestas palavras: é possível que esteja aqui o tesouro escondido no campo?

Faz-se nesta Freguesia Endureças e Procissão de Passos.

Tem uma imagem de muito concurso na capelinha de Santo Ovidio no primeiro domingo depois do dia da Assunção de Nossa Senhora.

Andam arrendados os dízimos desta Freguesia ao presente em sete centos mil réis. 700000.

Rende ao Cura seis mil réis, dois alqueires de trigo, dois almudes de vinho, e duas libras de cera, que lhe dá de Côngrua este Mosteiro: de obradas, cento e sessenta alqueires de pão e dos seus passais, um ano por outro quarenta e uma […]

 Em nenhuma as sobre ditas anexas pode pregar Pregador algum de fora sem licença do Prelado deste Mosteiro por Provisão do Ilustrissimo D. Rodrigo da Cunha passada a 28 de Março de 1632, e confirmada pelo Núncio a 3 de Outubro de 1633. Confirmada tambem pelo Ilustrissimo D. Rodrigo de Moura Teles a 20 […] e ultimamente por Provisão do Serenissimo D. Joze passada a 27 de Abril de 1742.